Spirulina o spirulina

Spirulina o spirulina

Spirulina artesanal e produção industrial

Há notáveis diferenças entre produção de spirulina artesanal e produção industrial. Os artesãos são geralmente agricultores, ou criaram quintas humanitárias, fundadas para oferecer spirulina a título gratuito ou a preço solidário a populações vulneráveis. A lógica não é geralmente a mesma para as grandes explorações da China ou dos Estados Unidos que trabalham a spirulina como tratando-se de um produto genérico, sem o lado humano bem afirmado. O consumidor nunca está em contacto com o produtor industrial, mas sempre com um revendedor, muitas vezes longe do mundo da produção, podendo vender spirulina sem conhecimento profundo do produto, indo muitas vezes ao encontro do produtor mais barato, e sem apego ao produto enquanto tal.

Os produtores artesanais têm uma grande preocupação de qualidade, pondo a sua atenção e paixão ao serviço de um alimento único no qual acreditam, entre outras razões, pelas qualidades fora do comum da spirulina e do que ela pode representar para o futuro da alimentação humana. Alguns defendem, como nós, uma visão mais global da ocupação do território através da instalação de quintas de spirulina de dimensão humana.

Como reconhecer uma spirulina de boa qualidade ?

spirulina-sprinkles

  • A secagem a baixa temperatura, 35- 40° °
    As produções industriais são secadas por spray-dry a temperaturas superiores a 60°, patamar a partir do qual a spirulina começa a perder uma grande parte dos seus nutrientes.
  • O respeito das normas europeias em matéria de bactérias e metais pesados.
    Muitas das produções industriais chinesas não respeitam essas normas (um escândalo relativo a isso rebentou em 2012 na sequência de um inquérito de imprensa. As taxas máximas de chumbo na spirulina estavam ultrapassadas na ordem dos 820% por 6 das 8 grandes marcas de spirulina chinesa) (http://www.gokunming.com/en/blog/item/2657/yunnan_spirulina_tainted_with_lead?date=2014-02-11)
  • O saber é agradável ?
    Um gosto forte não é um bom sinal em termos de qualidade do produto. É assim que uma cápsula pode esconder uma spirulina inutilizável em forma de pó… A apresentação sob forma de palhinhas só pode ser proposta por um produtor artesão.
  • A taxa de ficocianina
    Esse pigmento azul antioxidante é um dos melhores indicadores da transformação da spirulina: enquanto o produto fresco a contém em cerca de 25% do seu peso bruto, uma transformação agressiva em meio industrial pode fazer descer essa taxa para menos de 1% (o que se pode constatar na China e na Tailândia) enquanto que as melhores produções industriais se situam entre 5% e 10%; a spirulina artesanal tem taxas variando de 8-10%, a 18-23%.
  • Rastreabilidade e qualidade
    A relação directa com um produtor artesanal, para além da valorização dos aspectos humano e local, facilita a verificação desses dois critérios.
    Informação: a produção mundial está estimada em 5000 toneladas, das quais metade é produzida nos USA, a outra grande parte na China. Em França, estima-se a produção da centena de produtores artesanais em mais de 20 toneladas.

Spirulina bio?

european logo for organic production

Excerto de uma comunicação da FSF (Federação dos Spirulineiros de França):http://www.spiruliniersdefrance.fr/Documents/communication-spiruline-bio.pdf

“Consum’actores responsáveis, sejam vigilantes!

Não existe actualmente nenhum rótulo europeu que possa certificar uma spirulina “ proveniente da aquacultura   biológica”.A carta de regulamentação, para spirulina biológica ainda esta por criar.

Logótipo biológico europeu:

Para algumas grandes estruturas o desafio comercial é tal que os actores das certificações ditas “bio” (quintas, organismos de controlo e de certificação) vão privilegiar a etiqueta à ética. Note-se que estas menções não são, na maioria, rótulos reconhecidos mas simples certificações de controlo (Ecocert, Naturland …). Um organismo de certificação pode fazer o seu caminho sozinho, sem rótulo oficial e de maneira contratual com as quintas produtoras.

Então, o que são estas spirulinas, ditas ‘bio’, de importação, provenientes na sua maioria da América ou da Ásia? A privatização e a ocultação dos métodos utilizados por estas grandes quintas são práticas comuns. Uma das consequências de tal funcionamento é de impedir a investigação de interesse geral incentivada pela FSF. Nós, spirulineiros de França, fizemos a escolha de trabalhar juntos, na partilha de conhecimentos e com toda a transparência. Em todos os casos, nós encorajamos o uso de spirulina francesa. Produto artesanal de alta qualidade elaborado à partir de spirulina de fonte natural, não-OGM, não-híbrida e cultivada sem pesticidas. A spirulina é cultivada em estufas protegida das várias poluições do ar. A biomassa é escorrida, prensada e seca a baixa temperatura. A atomização e a radiação não existem em França. As “palhinhas “provenientes deste processo revelam uma spirulina doce e única.
Um produto local para um consumo responsável!”

Nota: eu próprio, aqui no Algarve, vi numa loja de produtos naturais, uma spirulina à venda por um preço muito atraente e comportando esse logo bio com indicação de proveniência: não- EU; o gosto e o cheiro são muito fortes e pouco apetecíveis. Cuidado com os rótulos e os produtos enganadores.