Spirulina e a subnutrição

Spirulina e a subnutrição

A spirulina enquanto solução à subnutrição

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Dá as suas provas em África, na Índia, na Ásia do sudeste; numerosas ONG locais estão implicadas nessa tarefa imensa: produzindo por vezes para exportação e assim permitindo o financiamento de programas de distribuição gratuita. Alguns dos produtores da “Fédération des Spiruliniers de France” participam na implementação de quintas, um pouco por todo o mundo ; Antenna Technologies (http://www.antenna.ch) faz um trabalho importante sobre este tema desde há uma vintena de anos. Sobre este assunto, pode-se pôr em evidência, para além das qualidades extraordinárias da spirulina, o facto de a produção ser feita localmente, evitando a importação de complexos nutritivos e favorecendo uma autonomia das populações em questão.

*Não podemos ignorar que essa subnutrição existe também nos nossos países ocidentais; ela atinge cerca de 10% da população em certos países da EU. Outra forma de subnutrição, na nossa zona, está ligada ao “mal comer”: excesso de açúcar, de carne, más gorduras saturadas, utilização excessiva de pesticidas e adubos químicos, obesidade… toda essa alimentação valorizada pela publicidade, produzida por empresas que têm como preocupação principal a rentabilidade a curto prazo.

Tantas acções restam a empreender para valorizar uma alimentação saudável onde a spirulina, alimento único, tenha o seu lugar. É de notar, que há cada vez mais espaço livre nos nossos campos onde instalar quintas de spirulina…

 

 

Ripley Fox, pioneiro da utilização da spirulina para combater a subnutrição resume:

1 Ripley Fox

No oriente, a prova não se encontra sobre papel, mas nos sorrisos e gritos de alegria das crianças que, se não tivessem recebido spirulina, se teriam juntado nas estatísticas aos 600 000 000 outros que morreram desde a ultima guerra mundial. É verdade que este número pode assombrar-vos a cabeça e o coração. É certamente uma questão de moralidade.

“A subnutrição não é uma doença, é um facto político.”

 

 

 

Cédric Coquet, produtor francês, implicado na criação de quintas em Africa, responde à pergunta:
A spirulina poderia combater a subnutrição? – “ A spirulina por si pode combater a subnutrição: é fácil de cultivar localmente, de recolher e de preparar; para além do mais a sua composição nutricional é impressionante. Infelizmente, enquanto o homem não se decidir a mudar radicalmente de comportamento, a resposta à pergunta é não. Permitam- me citar Jean Ziegler, relator na ONU : «  Uma criança que morre de fome é uma criança assassinada ». Partilhemos, e a subnutrição não passará então de um velho pesadelo.”

 

A fome e a subnutrição

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925 milhões de indivíduos sofrem de fome no mundo, em grande maioria nos países em desenvolvimento*. Se o direito a alimentação é reconhecido pela Declaração Universal dos Direitos do Homem -ONU (art. 25) e o Pacto internacional relativo aos direitos económicos, sociais e culturais ( art.11)  não existe um quadro jurídico internacional para fazer respeitar o compromisso dos estados aderentes. Mas mais do que a fome, a verdadeira questão é a subnutrição. Esse estado patológico é devido a uma carência em micro nutrientes (vitaminas, minerais e aminoácidos essenciais), que já não permite ao organismo assegurar o seu crescimento e manter as suas funções vitais.

A subnutrição crónica: um assassino invisível

Segundo a OMS, a subnutrição está implicada em cerca de 40% na morte dos 11 milhões de crianças com menos de cinco anos registadas em cada ano nos países em desenvolvimento. Mas só uma fracção dessas crianças morre de fome em contextos de escassez ou guerra. Na maioria dos casos, sofrem de subnutrição moderada e crónica, que não apresenta sintomas clínicos aparentes. No entanto, as carências nutritivas recorrentes têm consequências desastrosas sobre a saúde da criança: diminuição das defesas imunitárias, atraso no desenvolvimento, aumento do risco de mortalidade. Melhorar de forma sustentável o estado nutricional dessas crianças é possível graças ao cultivo local de spirulina.

A spirulina, produção local de um complemento alimentar

Antenna apoia a produção e a distribuição local da spirulina (la production et la distribution locales de la spiruline), micro alga de alto valor nutritivo da qual algumas gramas por dia melhoram espectacularmente o estado nutricional das crianças sub nutridas. Antenna apoia igualmente actividades de sensibilização e informação sobre a nutrição e a spirulina.

* Fonte: FAO, Departamento do desenvolvimento económico e social, 2010

Exemplo prático num dispensário no Togo

Esses centros acolhem as pessoas sub nutridas. Os funcionários dão uma dose de spirulina que varia em função do estado da pessoa, da sua idade e do seu peso. Para uma criança, podemos constatar efeitos notórios a partir de doses de 1 a 3 gramas de spirulina por dia, durante 4 a 6 semanas para começar. Geralmente nesses dispensários a spirulina é acrescentada no princípio da refeição a uma pequena porção de papa, de molho ou de arroz (mas para conservar todos os seus benefícios nutricionais, a spirulina não deve ser aquecida). As crianças em idade de comer sozinhas, digerem muito bem esse novo alimento no entanto desconhecido pelos seus organismos. Para os que não se podem alimentar sozinhos, a spirulina é administrada por sonda gástrica sob forma de pó e com água. A partir de uma pesagem e medição quotidiana do tamanho e do perímetro abdominal, observa se:

  • O aumento de peso é, desde o primeiro dia, significativo e é em media de 20g por dia, fora aqueles com kwashiorkor.
  • Entre o quinto e o décimo dia os inchaços dos órgãos e tecidos, chamados edemas começam a diminuir..
  • O “sorriso-resposta” aparece entre o 8° e o 13° dia após o princípio da cura.
  • A taxa de hemoglobina (proteína que transporta o oxigénio no organismo) aumenta após uma ou duas semanas
  • Um aumento dos marcadores biológicos: no sangue, as taxas de pré albumina (proteína que participa no transporte da vitamina A) e de transferrina (proteína que se combina com o ferro).

4 Kofi 18 monthsEm Dezembro 2004, Kofi tem 18 meses, pesa 6,2kg e é um caso de subnutrição aguda classificado como “irrecuperável” pelos pediatras e pela ONG..

 

 

 

 

5 Kofi 20 monthsDois meses depois o mesmo menino alimentado com spirulina…..

 

 

 

 

 

 

Quanto às mulheres grávidas, as que amamentam e as pessoas idosas, as curas fazem-se durante 3 semanas com 5 gramas de spirulina por dia. As doses podem ser aumentadas segundo as necessidades e sem risco até 40 gramas por dia. No caso do SIDA, que se traduz por uma baixa de imunidade favorecendo as infecções, a spirulina parece mostrar efeitos positivos graças à estimulação do sistema imunitário que proporciona. Vários testemunhos de pessoas seropositivas, que fazem um tratamento permanente de 5 a 10 gramas de spirulina por dia, são encorajadores. Efectivamente a saúde destes últimos melhora consideravelmente e a suspensão do consumo de spirulina implica o reaparecimento dos sintomas imunossupressores. No entanto só foram realizadas pesquisas cientificas indirectas. Pesquisadores americanos do National Cancer Institut interessaram- se por um sulfolipido que tem “ um efeito notavelmente activo contra o vírus VIH do SIDA (K. Gustavson, Journal of the National Cancer Institut, 1989, volume 821, n°16, pages 1254 à 1258). Ora o sulfolípido, que é um derivado de ácido gordo, encontra-se presente na spirulina.